Brasil é o maior importador mundial de carne de tubarão – e grande parte dela acaba em instituições públicas como creches, hospitais, quartéis e prisões. Uma investigação da Mongabay revela: milhões de pessoas, incluindo crianças pequenas e pacientes, consomem regularmente carne de tubarão, na maioria das vezes sem o saber.
A carne é quase sempre declarada como “cação” em licitações públicas – um termo genérico que oculta a verdadeira origem. Muitos brasileiros não sabem que estão a comer tubarão.
Além disso, a carne contém altas concentrações de metais pesados como mercúrio e arsénio, que se acumulam no corpo dos tubarões e representam um risco para a saúde, especialmente para crianças, grávidas e doentes.
No total, a Mongabay identificou mais de 1.000 licitações com um volume total de mais de 5.400 toneladas de carne de tubarão, no valor de cerca de 112 milhões de reais (aproximadamente 20 milhões de dólares). Estão afetadas mais de 5.900 instituições públicas em dez estados brasileiros – incluindo creches, escolas, hospitais e 92 prisões no estado de São Paulo.
Com a importação de carne de tubarão – principalmente de Espanha e Taiwan – o Brasil pode estar a contribuir para a sobrepesca global. Enquanto as barbatanas são vendidas como iguaria para a Ásia, a carne barata acaba nos pratos das instituições públicas.
“Preocupante é que isto não acontece de forma voluntária, como num restaurante”, diz Solange Bergami, pedagoga da região metropolitana do Rio de Janeiro. “Acontece em instituições públicas, onde se espera que a comida seja segura.”

