Tubarão-sardo - Lamna nasus

Estrutura corporal, características & anatomia
Anatomia e estrutura corporal do tubarão-anequim
Um olhar sobre as características externas
O tubarão-anequim, conhecido cientificamente como Lamna nasus, pertence à família dos tubarões-marreco (Lamnidae) e é um caçador elegante e altamente especializado das águas marinhas temperadas a frias. Com a sua estrutura corporal fusiforme, em forma de torpedo, está idealmente concebido para uma natação rápida e sustentada.
A coloração do tubarão-anequim é característica: a parte superior apresenta uma tonalidade metálica azulada a cinzento-escura, que se demarca nitidamente para um branco brilhante na parte inferior. Esta marcada contra-coloração serve de camuflagem — visto de cima, o tubarão confunde-se com o fundo marinho escuro; visto de baixo, com a superfície clara da água. Ao contrário do tubarão-tigre, o tubarão-anequim não possui quaisquer riscas ou manchas.
Cabeça e focinho
A cabeça do tubarão-anequim é cónica e termina num focinho pontiagudo e afilado. Esta forma cónica reduz a resistência da água e permite mudanças rápidas de direção durante a caça. As narinas são pequenas e situam-se ventralmente (na parte inferior do focinho). Como em todos os tubarões, estão rodeadas por ampolas de Lorenzini — órgãos sensoriais eletrorecetores que conseguem detetar até campos elétricos fracos emitidos por presas.
Olhos e órgãos sensoriais
Os olhos do tubarão-anequim são notavelmente grandes, redondos e escuros – uma adaptação à vida em águas temperadas a frias, onde as condições de luz são frequentemente limitadas. Estes olhos grandes permitem boa visão mesmo em água turva ou ao crepúsculo. Atrás de cada olho existe um pequeno espiráculo, que no tubarão-anequim é, no entanto, pouco funcional e está presente apenas de forma rudimentar.
Guelras e estrutura da pele
Cinco longas fendas branquiais em cada lado do corpo permitem ao tubarão-anequim captar oxigénio. Estas brânquias estendem-se até à região peitoral, mas são mais curtas do que noutros tubarões-mako, como o tubarão-branco. A pele é coberta por escamas placoides – pequenas escamas semelhantes a dentes, que conferem à pele uma textura áspera, tipo lixa. Estas escamas reduzem a resistência ao avanço na água e oferecem proteção contra parasitas.
Disposição das barbatanas
O tubarão-anequim possui duas barbatanas dorsais. A primeira barbatana dorsal é grande, triangular e situa-se aproximadamente ao nível dos bordos posteriores das barbatanas peitorais. A segunda barbatana dorsal é significativamente menor e encontra-se diretamente acima das pequenas barbatanas anais. As barbatanas peitorais são em forma de foice e relativamente curtas. A barbatana caudal é em forma de meia-lua (lúnata) e quase simétrica – uma característica típica de tubarões rápidos e pelágicos. Uma característica anatómica particular são as quilhas laterais no pedúnculo caudal, que proporcionam estabilidade a altas velocidades.
Dentição e dentes
A dentição do tubarão-anequim é muito característica e distingue-se claramente de outras espécies de tubarões. Os dentes são esguios, semelhantes a punhais e lisos – sem as margens serrilhadas que se encontram em tubarões-tigre ou tubarões-brancos. São ideais para agarrar e segurar presas lisas e rápidas, como cavalas, arenques e lulas.
No maxilar superior, os dentes estão em posição vertical, enquanto no maxilar inferior estão ligeiramente inclinados para dentro. Na base de cada dente maior existem frequentemente dentes secundários mais pequenos (cúspides). Como acontece com todos os tubarões, os dentes partidos ou gastos são continuamente substituídos por novos das fileiras dentárias posteriores — um mecanismo de substituição ao longo de toda a vida.
Diferenças sexuais: macho vs. fêmea
Tamanho corporal e peso
Nos tubarões-sardo observam-se diferenças claras de tamanho entre os sexos, sendo que as fêmeas, em regra, tornam-se maiores e mais pesadas do que os machos. As fêmeas adultas atingem, em média, um comprimento de 2 a 2,5 metros e, em casos excecionais, até 3,6 metros. Os machos mantêm-se geralmente um pouco mais pequenos e atingem comprimentos médios de cerca de 1,8 a 2,4 metros.
Também no peso há diferenças: devido à maior massa corporal, as fêmeas pesam, em média, mais — exemplares grandes podem atingir até 230 kg, enquanto os machos pesam, em regra, entre 60 e 135 kg.
Órgãos reprodutores e características externas
A característica externa mais fiável para distinguir os sexos são os chamados cláspers (ou claspers) — órgãos reprodutores emparelhados, em forma de haste, situados nas margens internas das barbatanas pélvicas dos machos. Estes são claramente visíveis e servem para a transferência de esperma durante o acasalamento. Nas fêmeas, estas estruturas estão completamente ausentes.
Para além dos cláspers e da diferença de tamanho, machos e fêmeas são externamente quase indistinguíveis. Ambos os sexos apresentam o dorso metálico-azulado típico e o ventre branco, bem como formas de barbatanas e estruturas dentárias idênticas.
Maturação e crescimento
A maturidade sexual nos tubarões-sardo ocorre em momentos diferentes consoante o sexo. Os machos atingem a maturidade sexual mais cedo do que as fêmeas — geralmente com um comprimento corporal entre 1,5 e 1,9 metros, o que corresponde a uma idade de cerca de 4 a 8 anos.
As fêmeas, por outro lado, necessitam de mais tempo para atingir a maturidade. Só alcançam a maturidade sexual com comprimentos de cerca de 2 a 2,2 metros, o que pode corresponder a uma idade entre 8 e 13 anos. Este período de desenvolvimento mais longo está relacionado com o sistema reprodutivo energeticamente exigente: as fêmeas de tubarão-salmão são ovovivíparas (ovíparas com incubação interna), ou seja, transportam os ovos no corpo até as crias eclodirem e nascerem vivas. A gestação dura cerca de 8 a 9 meses e uma ninhada inclui tipicamente 1 a 5 crias, que à nascença já medem 60 a 75 cm.
Distribuição & habitat
Distribuição global
O tubarão-salmão (Lamna nasus) é um habitante típico de regiões marinhas temperadas a frias e apresenta um padrão de distribuição característico transatlântico e transpacífico. Ao contrário de muitas outras espécies de tubarões, prefere temperaturas de água mais frias, entre cerca de 5 e 18 °C, e evita em grande medida as águas tropicais.
No Atlântico Norte, a sua área de distribuição estende-se desde a costa leste da América do Norte — da Terra Nova até Nova Jérsia — passando pela Gronelândia e Islândia até às águas costeiras europeias. Aqui, encontra-se desde a Noruega e as Ilhas Britânicas, passando pelo Mar do Norte, até ao Golfo da Biscaia e ao Mediterrâneo ocidental. Estão documentadas observações ocasionais no Mediterrâneo; no entanto, aí é claramente mais raro do que no Atlântico aberto.
No Atlântico Sul, encontram-se tubarões-salmão ao largo das costas da África do Sul, Argentina e sul do Brasil, onde aproveitam correntes marinhas frias.
Também no Pacífico Norte a espécie está amplamente distribuída: desde a costa do Japão e o Mar de Okhotsk, passando pelas Aleutas, até à costa oeste da América do Norte — do Alasca até ao sul da Califórnia. No Pacífico Sul, há tubarões-salmão ao largo da Austrália, Nova Zelândia e Chile.
Habitat e profundidades
Os tubarões-salmão habitam tanto regiões costeiras como oceânicas e demonstram uma flexibilidade notável na utilização das profundidades. Estão ativos sobretudo entre a superfície e os 200 metros de profundidade, mas também foram registados regularmente a profundidades de até 700 metros. Ocasionalmente, chegam mesmo a descer até aos 1360 metros, por exemplo durante a caça a lulas de águas profundas ou ao longo de migrações prolongadas.
Encontram-se com especial frequência em regiões com elevada densidade de presas — por exemplo, em áreas onde ocorrem cardumes de cavalas, arenques ou lulas. As águas costeiras servem muitas vezes como zonas de crescimento para os juvenis, enquanto os adultos se deslocam mais para o alto-mar.
Comportamento migratório
O tubarão-salmão é um tubarão marcadamente migrador, que percorre sazonalmente grandes distâncias. Estas migrações dependem fortemente da temperatura e da disponibilidade de alimento. Marcações por satélite e dados de capturas mostram que alguns indivíduos realizam migrações transatlânticas entre a América do Norte e a Europa — por vezes ao longo de distâncias superiores a 3000 quilómetros.
No verão, os tubarões-salmão deslocam-se frequentemente para águas mais a norte e mais frias, seguindo a ocorrência sazonal de peixes-presa como arenques ou cavalas. No outono e no inverno, muitas populações regressam a regiões mais quentes e mais a sul ou deslocam-se para camadas de água mais profundas, onde a temperatura se mantém mais estável. Este padrão marcado de migração Norte–Sul torna-os numa das espécies de tubarão mais móveis das latitudes temperadas.
Os juvenis tendem a permanecer mais tempo em zonas costeiras, enquanto os adultos preferem habitats oceânicos e percorrem longas distâncias em mar aberto.

Habitats típicos
Os tubarões-salmão estão adaptados a águas mais frias e temperadas e demonstram uma clara preferência por determinadas regiões marinhas. Ao contrário de espécies tropicais como o tubarão-tigre, preferem temperaturas mais baixas e podem ser encontrados tanto em zonas costeiras como em zonas pelágicas.
Águas costeiras
Os tubarões-salmão encontram-se frequentemente em áreas da plataforma continental, onde caçam a profundidades de 0 até cerca de 200 metros. Preferem regiões costeiras com abundância de peixe, especialmente em zonas com cardumes de cavala, arenque e sardinha. Nestas áreas, patrulham regularmente ao longo de costas rochosas, baías e sobre bancos de areia.
Mar aberto
Sendo um tubarão altamente pelágico, o tubarão-salmão também pode ser encontrado longe, em mar aberto. Segue cardumes de peixes migradores e pode percorrer grandes distâncias. Nestas zonas, desloca-se geralmente entre 50 e 250 metros de profundidade, mas pode também descer para profundidades superiores a 1.360 metros.
Preferência de temperatura
Uma característica essencial do tubarão-salmão é a sua adaptação a temperaturas de água frias. Prefere águas entre 5 e 15 °C e, por isso, encontra-se sobretudo nas latitudes temperadas do Atlântico Norte e do Pacífico Sul. No verão, os tubarões-salmão seguem frequentemente as correntes frias para norte; no inverno, recolhem-se a regiões meridionais mais quentes.
Diferenças entre faixas etárias
Os juvenis passam, na maioria das vezes, os seus primeiros anos de vida em águas mais pouco profundas, próximas da costa, onde estão mais protegidos de peixes predadores maiores e encontram alimento em abundância. Os tubarões-salmão adultos são significativamente mais móveis e realizam migrações extensas entre áreas de alimentação e de reprodução. Para tal, utilizam tanto as zonas costeiras como o mar aberto e apresentam um comportamento migratório sazonal bem marcado.
Modo de vida, alimentação & reprodução
Modo de vida e comportamento gerais
O tubarão-salmão (Lamna nasus) é um animal solitário altamente ativo, que vive preferencialmente em águas mais frias das zonas temperadas. Os animais só ocasionalmente formam grupos quando a densidade de presas é particularmente elevada — por exemplo, durante cardumes sazonais de cavala ou migrações de arenque. Nesses casos, vários indivíduos caçam em conjunto, sem, contudo, desenvolverem uma estrutura social fixa.
Os tubarões-salmão estão entre os nadadores mais rápidos e resistentes entre os tubarões. O seu corpo em forma de torpedo, a barbatana caudal em meia-lua e as quilhas laterais no pedúnculo caudal permitem grandes velocidades e manobras ágeis. Caçam preferencialmente em mar aberto (pelágico) e perseguem ativamente presas rápidas ao longo de grandes distâncias.
Uma particularidade biológica do tubarão-anequim é a sua capacidade de endotermia regional: com a ajuda de um sistema de contracorrente (rete mirabile), consegue manter a temperatura corporal — sobretudo nos músculos, nos olhos e no cérebro — vários graus acima da temperatura da água. Assim, permanece ágil e reativo mesmo em águas frias.
Alimentação e estratégia de caça
O tubarão-anequim alimenta-se principalmente de peixes ósseos de tamanho médio. Entre as suas presas preferidas contam-se as cavalas, os arenques, as pescadas, os carapaus e as sardinhas. Lulas e outros cefalópodes também fazem regularmente parte da dieta. Mais raramente, o tubarão-anequim captura tubarões mais pequenos, raias ou outros peixes cartilagíneos.
A caça ocorre sobretudo em mar aberto e é favorecida pela excelente visão dos grandes olhos e pelos movimentos rápidos de natação. Os tubarões-anequim recorrem a ataques de surpresa e a curtas fases de aceleração para desagregar cardumes e isolar indivíduos. Os dentes esguios, semelhantes a punhais, são ideais para agarrar e segurar presas lisas e rápidas.
Reprodução
O tubarão-anequim é ovovivíparo, ou seja, os embriões desenvolvem-se dentro de ovos retidos no corpo da fêmea. Os ovos fecundados desenvolvem-se no útero, e as crias eclodem ainda antes do nascimento. A gestação dura cerca de 8 a 9 meses. Em cada ninhada nascem entre 1 e 5 crias, que já atingem 60 a 75 cm de comprimento à nascença.
As fêmeas só atingem a maturidade sexual tardiamente — geralmente entre os 8 e os 13 anos, com um comprimento corporal de cerca de 2 a 2,2 metros. Os machos amadurecem mais cedo, aproximadamente entre os 4 e os 8 anos, com 1,5 a 1,9 metros de comprimento. O tamanho relativamente reduzido das ninhadas e os longos intervalos reprodutivos tornam a espécie particularmente vulnerável à sobrepesca.
Particularidades e ameaças
Uma das características mais notáveis do tubarão-anequim é a sua endotermia, ou seja, a capacidade de gerar e reter calor corporal. Isto confere-lhe uma clara vantagem em águas frias face aos peixes de sangue frio e permite-lhe uma maior distribuição geográfica.
O tubarão-anequim está gravemente ameaçado devido à sua lenta taxa de reprodução e ao longo período de desenvolvimento. A pesca intensiva — tanto como captura acessória como de forma dirigida — reduziu drasticamente as populações em todo o mundo. Em muitas regiões, as populações já colapsaram ou estão em forte declínio. Intervalos reprodutivos mais curtos, resultantes da pressão da pesca, agravam ainda mais o problema, pois as populações não conseguem recuperar adequadamente.
Reprodução e ciclo de vida
Os tubarões-anequim são ovovivíparos (ovíparos com nascimento vivo) — isto significa que as crias se desenvolvem inicialmente a partir de ovos no útero materno, eclodem lá e depois nascem vivas. Durante a gestação, os embriões alimentam-se primeiro do vitelo e, mais tarde, também através de oofagia, ou seja, comem ovos não fecundados que a fêmea continua a produzir.
| Merkmal | Beschreibung |
|---|---|
| Ciclo reprodutivo | cerca de uma vez a cada 1 a 2 anos por fêmea |
| Período de gestação | cerca de 8 a 9 meses |
| Tamanho da ninhada | entre 1 e 5 crias, geralmente 3 a 4 |
| Tamanho à nascença | cerca de 60 a 75 cm |
| Maturidade sexual | Machos com cerca de 1,5 a 1,9 m, fêmeas com cerca de 2,0 a 2,2 m de comprimento |
| Esperança de vida estimada | cerca de 25 a 45 anos |
O acasalamento ocorre, na maioria das vezes, no final do verão ou no outono. Machos e fêmeas reúnem-se em determinadas regiões, onde o acasalamento é iniciado através de múltiplas voltas em círculo e contacto corporal. Os machos mordem frequentemente as barbatanas peitorais das fêmeas para se manterem agarrados durante a cópula.
O nascimento ocorre, na maioria das vezes, no início do verão em águas costeiras temperadas. As crias de tubarão-anequim nascem completamente desenvolvidas e são imediatamente independentes. Não existe cuidado maternal após o nascimento. Os juvenis preferem permanecer em zonas costeiras mais rasas, onde estão mais protegidos de predadores maiores e encontram alimento suficiente.
Os tubarões-salmão crescem relativamente devagar e só atingem a maturidade sexual após vários anos. Os machos atingem a maturidade mais cedo (entre 4 e 8 anos), enquanto as fêmeas demoram mais (entre 8 e 13 anos). Esta baixa taxa de reprodução torna a espécie particularmente vulnerável à sobrepesca.
Pessoas & tubarões-salmão
Timidez natural e encontros com pessoas
O tubarão-anequim mostra uma timidez natural em relação aos seres humanos e só raramente se aproxima deles. Os encontros entre mergulhadores ou nadadores e tubarões-anequim são extremamente raros. Até agora, existem poucos ataques documentados a seres humanos — a espécie é considerada inofensiva. Mesmo em encontros diretos, o tubarão-anequim comporta-se de forma reservada e, regra geral, evita o contacto.
Para os mergulhadores, o tubarão-anequim é um animal extremamente fascinante, mas difícil de observar. Devido à sua preferência por águas frias e temperadas e à sua natureza esquiva, os avistamentos são raros e são considerados uma experiência especial.
Áreas de avistamento conhecidas do tubarão-salmão
Há algumas regiões onde os tubarões-anequim são avistados com maior regularidade e que são interessantes para mergulhadores dedicados:
• País de Gales (Reino Unido): Ao largo da costa do País de Gales, especialmente em torno de Pembrokeshire, são frequentemente observados tubarões-anequim. As águas frias e ricas em nutrientes oferecem condições ideais.
• Irlanda: As águas costeiras irlandesas também são conhecidas por avistamentos ocasionais de tubarões-anequim, especialmente no verão e no outono.
• África do Sul: Nas águas mais frias ao largo da costa sul-africana, particularmente no Atlântico, há encontros pontuais com tubarões-anequim.
Apesar destas áreas conhecidas, o tubarão-anequim continua a ser uma visão rara e especialmente cobiçada para os mergulhadores.

Ameaça da pesca
O tubarão-anequim tem sido, há décadas, fortemente afetado pela pesca comercial e desportiva. A sua carne é apreciada e transformada em bifes, as suas barbatanas são utilizadas na sopa de barbatana de tubarão, e o seu óleo de fígado é usado em várias indústrias. Esta utilização diversificada levou a que o tubarão-anequim tenha sido e continue a ser intensamente pescado.
Além da pesca direcionada, o tubarão-anequim é frequentemente capturado como captura acessória (bycatch) na pesca com palangre e redes de emalhar. Esta remoção não intencional das populações contribui significativamente para a ameaça à espécie. Muitos animais morrem nas redes ou nos anzóis antes de poderem ser libertados.
Também na pesca desportiva, o tubarão-anequim é um alvo muito procurado. Devido à sua força corporal e velocidade, é considerado uma captura exigente. Apesar do aumento de práticas de captura e libertação, muitos animais morrem devido às consequências da luta ou das lesões causadas pelos anzóis.
Quebra das populações e medidas de proteção
Devido a décadas de sobrepesca, as populações do tubarão-anequim diminuíram drasticamente em muitas regiões. Especialmente no Atlântico Norte, onde a espécie estava historicamente muito difundida, foram documentados declínios significativos.
Em resposta a esta evolução, foram exigidas internacionalmente numerosas medidas de proteção e, em parte, implementadas:
• A IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza) classifica o tubarão-anequim como «vulnerável» (Vulnerable).
• Em vários países e regiões aplicam-se quotas de captura, tamanhos mínimos ou proibições totais de captura para tubarões-anequim.
• A União Europeia e outras nações pesqueiras estão a trabalhar em planos de gestão sustentável para estabilizar as populações e preservá-las a longo prazo.
• Programas científicos de monitorização das populações e de marcação de tubarões-anequim fornecem dados importantes para a conservação da espécie.
Apesar destes esforços, o futuro do tubarão-salmão permanece incerto. A lenta taxa de reprodução — as fêmeas só atingem a maturidade sexual tardiamente e dão à luz apenas poucas crias — dificulta significativamente a recuperação das populações.
Ameaças & evolução populacional
O tubarão-salmão (Lamna nasus) é uma das espécies de tubarão mais ameaçadas do mundo. Apesar da sua outrora ampla distribuição em mares temperados a frios, a espécie sofreu um declínio drástico ou quase desapareceu em muitas regiões devido à sobrepesca massiva. Neste artigo, analisamos em detalhe a situação atual de ameaça e a evolução populacional do tubarão-salmão.
Evolução das populações a nível mundial: um declínio alarmante
As populações do tubarão-salmão colapsaram de forma acentuada a nível mundial nas últimas décadas. A situação é particularmente dramática no Atlântico Norte, onde historicamente a espécie era mais comum. No Mar do Norte e no Mar Báltico, o tubarão-salmão é atualmente considerado praticamente extinto — os avistamentos tornaram-se raros e, na prática, já não existe ali uma população reprodutora.
Também no Mediterrâneo, onde os tubarões-salmão eram anteriormente encontrados com regularidade, a espécie é hoje extremamente rara. As estatísticas de captura mostram uma redução superior a 90% desde meados do século XX. No Atlântico Nordeste — ao largo das costas da Grã-Bretanha, da Irlanda, da Noruega e da Islândia — as populações ainda existem, mas estão igualmente muito ameaçadas e muito abaixo dos níveis históricos.
Populações menores, mas também em declínio, encontram-se no Pacífico Norte (ao largo do Alasca, do Canadá e do Japão), bem como no Atlântico Sul (ao largo da Argentina e da África do Sul). Também aí, estudos indicam uma redução contínua das populações, ainda que não tão dramática como no Atlântico Norte.
Principais ameaças: porque é que o tubarão-salmão está tão ameaçado?
Pesca dirigida
O tubarão-anequim foi, durante décadas, alvo de intensa pesca comercial. A sua carne é considerada saborosa e foi comercializada em muitos países — especialmente na Escandinávia, no Reino Unido e na América do Norte — como peixe para consumo. Além disso, as barbatanas foram utilizadas para o mercado asiático e o óleo de fígado para fins farmacêuticos e cosméticos.
A pesca direcionada com palangres, redes de emalhar e redes de arrasto levou a capturas massivas. Nas décadas de 1960 e 1970, no Atlântico Norte, foram capturadas anualmente milhares de toneladas de tubarões-anequim — muito mais do que as populações conseguiam suportar.
Captura acessória
Para além da pesca direcionada, a captura acessória também constitui um problema significativo. Os tubarões-anequim ficam frequentemente enredados em redes destinadas a outras espécies de peixe, como o bacalhau, a cavala ou o atum. Como muitas frotas de pesca não são obrigadas a documentar com rigor as capturas acessórias, o número real de tubarões-anequim mortos como captura acessória é provavelmente muito superior ao registado oficialmente.
Baixa taxa de reprodução
Uma das principais causas da ameaça ao tubarão-anequim é a sua biologia reprodutiva extremamente lenta. As fêmeas só atingem a maturidade sexual entre os 8 e os 13 anos, e os machos entre os 4 e os 8 anos. A gestação dura 8 a 9 meses e, por ninhada, nascem apenas 1 a 5 juvenis.
Esta baixa taxa de reprodução significa que as populações de tubarão-anequim só conseguem recuperar muito lentamente — mesmo que a pressão da pesca diminua. Em comparação com muitas espécies de peixes ósseos, que produzem milhares de ovos por ano, o tubarão-anequim é biologicamente extremamente vulnerável à sobrepesca.
Desproporção entre a pressão da pesca e o potencial de recuperação
O problema central na proteção do tubarão-anequim é o grave desfasamento entre a elevada pressão da pesca e o reduzido potencial de recuperação da espécie. Mesmo após a introdução de restrições à captura ou medidas de proteção, passam décadas até que as populações se possam recuperar de forma significativa — desde que a pressão da pesca se mantenha efetivamente baixa.
Em muitas regiões, porém, a pesca só foi interrompida depois de as populações já terem colapsado. Nessa altura, o tamanho populacional era tão reduzido que uma recuperação natural se tornou extremamente demorada ou até impossível.
Estatuto de proteção e medidas internacionais
Classificação da IUCN
A União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) classifica o tubarão-anequim, a nível global, como “Endangered” (em perigo). Em algumas regiões, em especial no Atlântico Nordeste e no Mediterrâneo, a espécie é indicada como “Critically Endangered” (em perigo crítico). Esta classificação sublinha a urgência de medidas de proteção.
CITES Anexo II
Desde 2014, o tubarão-anequim está listado no Anexo II da Convenção de Washington sobre o Comércio Internacional das Espécies da Fauna e da Flora Selvagens Ameaçadas de Extinção (CITES). Isto significa que o comércio internacional de produtos de tubarão-anequim (carne, barbatanas, óleo) tem de ser rigorosamente regulado e monitorizado. Os países exportadores têm de demonstrar que a captura é sustentável e que a espécie não é ainda mais ameaçada.
Proteção na UE
Nas águas da União Europeia, o tubarão-anequim está estritamente protegido desde 2010. Aplica-se uma proibição total de captura em todos os Estados-Membros da UE. Também as capturas acessórias devem ser libertadas de imediato, desde que o animal ainda esteja vivo. Estas medidas são um passo importante para proteger as populações europeias fortemente reduzidas.
Proibições de captura e regulamentações
Para além da UE, outros países e organizações regionais de gestão das pescas também implementaram medidas de proteção:
– A Noruega e a Islândia reduziram drasticamente as quotas de captura ou suspenderam-nas temporariamente.
– O Canadá introduziu restrições à captura para a costa atlântica.
– Na Nova Zelândia e na Austrália, aplicam-se regulamentações rigorosas para as capturas acessórias.
No entanto, em muitas regiões continua a haver falta de controlos eficazes e de mecanismos de fiscalização.
Sucessos e fracassos na proteção
Sucessos
Em algumas regiões, as medidas de proteção mostram os primeiros efeitos positivos. Nos últimos anos, foram observados com maior frequência tubarões-mako (Lamna nasus) ao largo da costa da Irlanda e do Reino Unido, o que poderá indicar uma ligeira recuperação. Estudos de rastreio também forneceram informações valiosas sobre rotas migratórias e utilização do habitat, que podem ser usadas para medidas de proteção direcionadas.
Fracassos e desafios
No entanto, a situação geral mantém-se crítica. Em muitas regiões, as populações estão tão fortemente reduzidas que a recuperação é incerta. A pesca ilegal, a monitorização insuficiente e o elevado nível de capturas acessórias em águas internacionais continuam a ser problemas centrais.
Além disso, faltam dados abrangentes sobre o tamanho das populações e as tendências dos stocks em muitas partes da área de distribuição, o que dificulta o planeamento e a implementação de estratégias de proteção eficazes.
Conclusão: necessidade urgente de intervenção
O tubarão-mako (Lamna nasus) é exemplar do destino de muitos predadores marinhos altamente móveis e de reprodução lenta. Sem uma proteção internacional consistente, controlos eficazes e o fim da sobrepesca, a espécie continuará a diminuir em grandes partes da sua área de distribuição ou desaparecerá por completo.
São urgentemente necessários esforços reforçados — tanto a nível político, através de acordos internacionais, como através da investigação científica e da sensibilização pública — para conservar o tubarão-mako (Lamna nasus) a longo prazo.
Evolução das populações em diferentes regiões
A evolução global da população de tubarão-mako (Lamna nasus) é alarmante. Levantamentos de longo prazo e estudos regionais mostram um declínio dramático que, em muitas regiões, já se prolonga há décadas.
Atlântico Norte
No Atlântico Norte, onde os tubarões-anequim eram historicamente comuns, as populações colapsaram drasticamente. Em águas europeias, dados de campanhas de amostragem das pescas mostram que as taxas de captura diminuíram em mais de 80% desde a década de 1960. Particularmente afetadas estão as populações do Atlântico Nordeste, onde a pesca comercial e as capturas acessórias reduziram fortemente as populações.
Também o tamanho corporal médio dos animais capturados diminuiu, o que indica que, em particular, os grandes indivíduos sexualmente maduros desapareceram das populações. Isto tem consequências a longo prazo para a capacidade de recuperação das populações.
Atlântico Noroeste
Em águas canadianas e norte-americanas, a situação é igualmente crítica. Desde a década de 1960, observa-se um declínio contínuo. Embora a pesca comercial do tubarão-anequim no Canadá tenha sido em grande parte interrompida, a recuperação das populações decorre de forma extremamente lenta ou estagna por completo. Os cientistas estimam que as populações no Atlântico Noroeste encolheram entre 70% e 90%.
Um problema particular é a captura acessória na pesca com palangre. Muitos tubarões-anequim morrem antes mesmo de se poderem reproduzir, o que dificulta consideravelmente a recuperação.
Atlântico Sul e Pacífico Sul
Também nas águas temperadas do Hemisfério Sul se observam tendências preocupantes. Na Argentina, no Chile e na Nova Zelândia, as populações de tubarão-anequim diminuíram acentuadamente nas últimas décadas. Nestas regiões, a espécie é capturada regularmente como captura acessória na pesca industrial.
Particularmente dramática é a situação em águas argentinas, onde a pesca intensiva com redes de arrasto de fundo influenciou fortemente as populações de tubarão-anequim. As estimativas apontam para uma redução de pelo menos 50% nos últimos 30 anos.
Hipóteses de recuperação e perspetivas futuras
A recuperação das populações de tubarão-anequim é extremamente difícil devido às suas características biológicas. Os tubarões-anequim crescem lentamente, atingem a maturidade sexual tarde e têm uma baixa taxa reprodutiva (apenas 1 a 5 crias por ninhada). Estes fatores tornam a espécie particularmente vulnerável à sobrepesca.
Mesmo com uma proibição total da pesca, a recuperação das populações demoraria décadas. Os cientistas alertam que, sem medidas de proteção rigorosas e cooperação internacional, a população global de tubarão-anequim continuará a diminuir. A tendência mundial está em queda e, neste momento, não há sinais de inversão dessa tendência.
Ficha Técnica
- Primeira descrição:
- Tamanho máximo:
- Profundidade:
- Idade máxima:
- Peso máximo:
- Tipo de água:
- Estado IUCN:
Sistemática
- Reino:
- Filo:
- Subfilo:
- Infrafilo:
- Subfilo menor:
- Classe:
- Subclasse:
- Superordem:
- Ordem:
- Família:
- Género:

