Mergulhar com Tubarões

Sem mordida? Estudo: Acidificação dos oceanos ataca dentes de tubarões

Estudo: Oceanos mais ácidos danificam dentes de tubarões – no teste, o dobro de danos. Perigo para o sucesso da caça, populações de tubarões e a estabilidade dos ecossistemas marinhos.

Ronny K27. Agosto 2025
Tubarão-de-pontas-negras sem dentes
Imagem simbólica gerada por IA

Tubarões sem dentes afiados podem soar reconfortantes para os banhistas – para os oceanos, seria fatal. Um novo estudo mostra que a crescente acidificação dos oceanos ataca os dentes dos principais predadores e pode assim enfraquecer a sua eficiência de caça. Isso teria consequências para as populações de tubarões e a estabilidade de ecossistemas marinhos inteiros.

O que está por trás da acidificação

A acidificação dos oceanos ocorre quando os mares absorvem rapidamente mais dióxido de carbono e o valor de pH diminui. Projeções indicam que a média global, atualmente cerca de pH 8,1, poderá cair para 7,3 até ao ano 2300 – com impactos profundos nos organismos marinhos.

A experiência: 60 dentes de tubarão no teste de acidez

Para a experiência, investigadores armazenaram 60 dentes recentemente perdidos de tubarões-de-pontas-negras-do-recife em água do mar artificial: uma vez com o pH atual de 8,1, outra com o pH projetado de 7,3. Os dentes provinham de um aquário alemão (seis animais machos, quatro fêmeas). Após oito semanas, os dentes no tanque mais ácido apresentavam cerca do dobro dos danos. Particularmente notáveis foram o aumento da corrosão da raiz e alterações nas bordas serrilhadas, relata o líder do estudo Maximilian Baum do Instituto de Zoologia e Interações Organísmicas da Universidade Heinrich Heine.

“Observamos aumento da corrosão da raiz e alterações nas serrilhas – um claro indício de efeitos prejudiciais ao material.” – Maximilian Baum

Mais stress para predadores já ameaçados

Dentes danificados somam-se a pressões existentes, como a escassez de presas devido à sobrepesca. Espécies mais sensíveis, com menos fileiras de dentes ou substituição lenta, poderão ser afetadas mais cedo. Estudos anteriores já demonstraram danos nos dentículos dérmicos devido à acidificação.

Podem os tubarões adaptar-se?

Baum considera possíveis adaptações: substituição mais frequente de dentes ou processos de reparação melhorados. Também especialistas externas partilham este olhar cautelosamente otimista. A paleobióloga Lisa Whitenack (Allegheny College) salienta que uma substituição mais rápida de dentes poderia compensar parcialmente as perdas e que mesmo dentes corroídos ainda podem funcionar.

“O decisivo é saber se os danos observados afetam realmente a capacidade de corte ou perfuração.” – Lisa Whitenack

O que conta agora

Para travar a acidificação, a redução das emissões de CO2 de origem humana é central. O estudo deixa claro: mesmo diminuições moderadas do pH podem alterar a biologia de grandes predadores, com consequências de longo alcance para as cadeias alimentares e o funcionamento dos oceanos.

Espécies mencionadas

Tubarão-de-pontas-negras Carcharhinus melanopterus

Tubarão-de-pontas-negras-do-recife

Fontes

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