Uma nova espécie dos chamados tubarões-caminhantes foi descrita na Papuásia-Nova Guiné. Hemiscyllium dudgeonae, conhecido em inglês como Dudgeon’s epaulette shark, pertence a um pequeno grupo de tubarões bentônicos de recife que usam nadadeiras peitorais e pélvicas para se mover sobre o fundo.
De acordo com a Sci.News, a nova espécie vem do leste da Papuásia-Nova Guiné, mais precisamente da província de Milne Bay. O animal descrito foi documentado em Nubwageta, e os levantamentos ocorreram entre 2023 e 2025.
O artigo científico de Jessica-Anne Blakeway e colegas foi publicado no Journal of the Ocean Science Foundation. Ele revisa a distribuição de várias espécies de Hemiscyllium na Papuásia-Nova Guiné e descreve H. dudgeonae como nova espécie.
Pequeno, local e vulnerável
Tubarões-caminhantes não são caçadores oceânicos de longa distância. Eles vivem principalmente em habitats costeiros rasos, como recifes de coral, pradarias marinhas e manguezais, muitas vezes a menos de dez metros de profundidade. Muitas espécies têm apenas cerca de 70 a 80 centímetros e usam áreas de vida muito pequenas.
Esse modo de vida torna a descoberta importante para a conservação. Se uma espécie ocorre apenas em poucos trechos de recife, um impacto local pode atingir toda a população conhecida. Ao contrário de tubarões migratórios, esses animais não compensam facilmente perdas com chegada de indivíduos de regiões distantes.
Um hotspot de tubarões-tapete
A visão geral dos tubarões-caminhantes mostra como o grupo é definido por padrão de cor, genética e geografia. Para mergulhadores, esses tubarões invertem a imagem usual: pequenos, noturnos, próximos ao fundo e muitas vezes mais caminhantes do que nadadores.
A descrição é, portanto, mais que uma notícia taxonômica. Ela lembra que até regiões recifais conhecidas ainda podem abrigar espécies pouco compreendidas, cuja proteção depende de decisões muito locais sobre habitat.

