Mergulhar com Tubarões

Panamá interceta 109 sacos de barbatanas de tubarão destinados à Malásia

O Panamá intercetou um contentor com 109 sacos de barbatanas de tubarão. Declarada como bexigas natatórias, a carga seguia para a Malásia; as espécies estão a ser identificadas.

Sharky19. Agosto 2026
Vista urbana costeira no Panamá com edifícios altos
Ana Freitas, CC BY 2.0, via Wikimedia Commons; recortada para 2:1 e convertida em WebP.

No Panamá, as autoridades pararam um contêiner com 109 sacos de barbatanas de tubarão. De acordo com a reportagem da agência de notícias EFE, a carga deveria ser embarcada do porto de Manzanillo, na província de Colón, para Malásia. Nos documentos de frete, portanto, não foi declarado como barbatanas de tubarão, mas como bexigas de peixe ou fish maw.

A descoberta é mais do que uma violação alfandegária. Os especialistas envolvidos devem primeiro esclarecer de que espécie de tubarão provêm as barbatanas. Só então será possível avaliar quais regras nacionais e regulamentos CITES se aplicam às peças individuais. A identificação da espécie ainda não havia sido concluída no momento do relatório.

Operação conjunta no porto de Manzanillo

O contêiner foi descoberto na costa do Caribe, no Mar do Caribe. Segundo EFE, estiveram envolvidos na operação o Ministério do Ambiente MiAmbiente, a Direcção de Investigação Policial DIP, o Ministério Público e a Autoridade das Pescas ARAP. O caso deverá ser entregue ao Ministério Público Ambiental.

Ainda não está claro quem adquiriu as mercadorias, de quais áreas de pesca elas vieram e se as barbatanas foram retiradas de animais desembarcados legalmente. A falsa declaração é, portanto, um detalhe investigativo importante, mas não uma prova de que os tubarões foram capturados no mar e os seus corpos atirados ao mar. Finning e fin trading são problemas relacionados, mas não idênticos.

A análise taxonómica determinará a aplicação da CITES

Especialistas examinam taxonomicamente as peças apreendidas. Para barbatanas secas e mistas, a identificação é difícil sem características ou métodos genéticos apropriados. Ainda é central: as regras CITES estão ligadas às respectivas espécies, não apenas ao nome geral barbatana de tubarão.

Se forem detectadas espécies protegidas, os investigadores devem verificar se a origem, a exportação e o transporte cumprem as licenças e documentação exigidas. Pode haver barbatanas de diversas espécies em uma remessa mista. Vários tubarões afetados não podem ser derivados de forma confiável de 109 sacos sem peso, variedade de espécies e composição.

Quota zero do Panamá desde janeiro de 2026

O contexto político é extraordinariamente rigoroso: a comunicação do Ministério do Meio Ambiente do Panamá declara que desde 1º de janeiro de 2026, uma cota de exportação de zero se aplica a espécies de tubarões e raias nos apêndices CITES. A norma abrange exportações comerciais de animais, produtos, peças e derivados; Existem exceções apenas para fins científicos, médicos, educacionais, policiais ou forenses aprovados.

MiAmbiente justifica a cota zero com o princípio da precaução, a vulnerabilidade biológica de muitas espécies e ainda dados insuficientes sobre populações e rastreabilidade. Para o tubarão azul, o ministério menciona expressamente a regra como medida preventiva. No entanto, não se trata de uma proibição total de exportação para todas as espécies de tubarões que existem em todo o mundo, mas sim refere-se às espécies CITES registadas pelo Panamá.

Por que razão a declaração falsa é importante

Os controles de porta só funcionam se as autoridades souberem o que há em um contêiner. Se um produto animal for registado com um nome de produto diferente, podem ser evitados testes de protecção de espécies, licenças e provas de origem. Especialmente com barbatanas secas, a cadeia de abastecimento é muitas vezes longa e passa por vários varejistas e países.

A Malásia foi o país de destino, de acordo com o relatório. Ainda não se sabe se as mercadorias deverão ser posteriormente processadas, vendidas ou reexportadas. Também não havia informações confiáveis sobre o peso total, o remetente e os possíveis destinatários da mensagem publicada.

O que falta esclarecer

  • Espécie: Quais tubarões podem ser identificados morfologicamente ou geneticamente?
  • Quantidade: Qual é o peso líquido e o número das nadadeiras individuais?
  • Origem: De quais pescarias, portos e países vem o produto?
  • Documentos: Quem declarou a remessa como bexigas de peixe e quais evidências foram fornecidas?
  • Consequência legal: Quais partes se enquadram em CITES e na cota zero do Panamá?

Para proteção contra tubarões, o caso só se torna totalmente compreensível com essas respostas. No entanto, a apreensão já mostra por que a identificação das espécies, a rastreabilidade digital e as inspeções portuárias conjuntas são cruciais: uma proibição de exportação só protege se mercadorias declaradas incorretamente forem detectadas antes de saírem do porto.

Fontes

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