Mergulhar com Tubarões

Arquipélago em São Paulo serve como área de reprodução para tubarões-mangona ameaçados

Novas pesquisas mostram que o Arquipélago de Alcatrazes, em São Paulo, é uma área de reprodução durante todo o ano para o tubarão-mangona criticamente ameaçado.

Sharky1. Junho 2026
Carcharias taurus, tubarão-tigre-da-areia com fundo escuro

Um estudo científico recente mostrou que o Arquipélago de Alcatrazes, na costa do estado brasileiro de São Paulo, desempenha um papel decisivo em todo o ciclo reprodutivo do tubarão-mangona (Carcharias taurus), criticamente ameaçado. Ao contrário da hipótese anterior de que esses tubarões migravam para as águas mais quentes do Sudeste do Brasil apenas para a gestação e o parto, novos dados mostram que eles também acasalam ali.

Até agora, acreditava-se que os tubarões-mangona acasalavam nas águas mais frias da Argentina, do Uruguai e do Sul do Brasil. A pesquisa, publicada na revista Journal of Fish Biology, foi realizada pela Unifesp, Unesp e Instituto de Pesca, com apoio da FAPESP e da Petrobras. O estudo refuta essa hipótese. Segundo os resultados, os tubarões estão presentes tanto no inverno quanto no verão no Refúgio de Vida Silvestre do Arquipélago de Alcatrazes e completam todo o seu ciclo reprodutivo em águas brasileiras.

Novos dados graças a observações extensas

Os pesquisadores usaram sistemas remotos de vídeo estéreo subaquático com isca (BRUVs), além de observações diretas de cientistas e cientistas cidadãos (mergulhadores), para registrar os tubarões em profundidades entre 2 e 50 metros. Essa metodologia permitiu documentar o comportamento dos animais por períodos mais longos. Ana Clara Athayde, da Unifesp, comentou os resultados: “Mostramos que eles não estão aqui apenas no inverno, como se pensava anteriormente, mas também no verão, e que completam todo o ciclo reprodutivo em águas brasileiras.”

Fabio Motta, também da Unifesp, destacou a importância dos novos registros: “Há registros históricos de captura incidental de tubarões-mangona na costa de São Paulo, mas não havia documentação científica até a nossa em Alcatrazes, no inverno de 2022.” Essas primeiras observações científicas no arquipélago são decisivas para compreender a espécie.

O Arquipélago de Alcatrazes, designado em 2025 pela IUCN como Important Shark and Ray Area (ISRA), funciona como um importante corredor ecológico para esses tubarões de reprodução lenta. Os tubarões-mangona são classificados globalmente como vulneráveis, mas nesta região do Atlântico sudoeste são considerados criticamente ameaçados, principalmente devido à sobrepesca histórica. Sua taxa reprodutiva é muito baixa: apenas dois filhotes por gestação, que dura de nove a doze meses e é caracterizada por canibalismo intrauterino.

Espécies mencionadas

Tubarão-tigre-de-areia (Carcharias taurus) sobre o fundo

Tubarão-lixa

Fontes

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