Um tubarão-branco em águas azuis, por baixo de um grupo de mergulhadores: um vídeo de Producciones Maldisub documenta um encontro invulgar no Banco Princesa Alice, nos Açores. O autor indica que o mergulho ocorreu a 21 de julho de 2024 e identifica a Norberto Diver como operador envolvido. Segundo esta informação, as imagens foram captadas durante uma saída a partir da ilha do Faial.
Na sequência indicada, a partir de cerca do minuto 1:38, é possível ver o tubarão no azul mais profundo, abaixo dos mergulhadores. O animal atravessa a imagem entre os peixes. A perspetiva torna o encontro impressionante, mas não permite medir o seu tamanho com fiabilidade. O canal identifica o animal como tubarão-branco; a descrição não indica o comprimento nem o sexo.
Avistamento já noticiado em julho de 2024
O encontro também pode ser enquadrado no tempo: a RTP Açores noticiou, a 24 de julho de 2024, a filmagem de um tubarão-branco no Banco Princesa Alice, a cerca de 45 milhas a sul do Faial. Segundo a estação, um guia de mergulho de uma empresa sediada no Faial tinha filmado o animal. A RTP descreveu este tipo de observação nas águas açorianas como raro.
O filme no YouTube foi publicado a 21 de outubro de 2024. A data de publicação é, portanto, diferente da data do mergulho. A notícia da RTP, divulgada na altura, sustenta o registo de um avistamento de tubarão-branco neste local em julho; contudo, o breve texto que a acompanha não permite determinar se a estação utilizou exatamente as mesmas imagens.
Um local de mergulho em pleno Atlântico
O Banco Princesa Alice, conhecido em inglês como Princess Alice Bank, é um monte submarino afastado das costas das ilhas. A descrição do vídeo situa-o ao largo do Faial e do Pico. O filme mostra um mergulho em águas abertas com peixes e raias, animais que muitos mergulhadores associam a este local.
Politicamente, os Açores pertencem a Portugal; geograficamente, o encontro ocorreu em pleno Atlântico Norte. Por isso, não se trata de um registo no Mediterrâneo nem junto à costa de Portugal continental. Para interpretar imagens como estas, o local concreto de mergulho é mais esclarecedor do que um título genérico como «Tubarão-branco na Europa».
O que as imagens mostram e o que continua por esclarecer
O valor do vídeo está no encontro documentado. Não permite concluir que exista um grupo de tubarões-brancos regularmente presente, que a população esteja a aumentar ou que a sua distribuição esteja a mudar devido ao clima. As fontes disponíveis também não sustentariam a designação de primeiro registo da espécie nos Açores.
Para os mergulhadores, a cena recorda como os encontros em mar aberto podem ser imprevisíveis. As imagens documentam um avistamento; nem a descrição do filme nem a notícia da RTP explicam por que motivo este indivíduo apareceu ou para onde seguiu depois.


